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XP reduz recomendação para Grupo Mateus diante de cenário mais difícil para o varejo

17/08/2026 23:40
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Escrito por Milene Barbosa
XP reduz recomendação para Grupo Mateus diante de cenário mais difícil para o varejo

A XP Investimentos revisou para baixo sua avaliação sobre as ações do Grupo Mateus (GMAT3) e passou a recomendar uma posição neutra para os papéis da companhia. A instituição estabeleceu preço-alvo de R$ 5 para 2027, em meio à perspectiva de um ambiente mais desafiador para o varejo alimentar.

De acordo com a análise da XP, o Grupo Mateus enfrenta obstáculos adicionais por concentrar grande parte de suas operações nas regiões Norte e Nordeste. Os analistas destacam que os nove estados onde a empresa mantém presença estão entre os que apresentam maior dependência de programas de transferência de renda.

O Maranhão, onde o Grupo Mateus surgiu e concentra uma parcela significativa de suas lojas, aparece como um dos principais pontos de atenção. Para a XP, mudanças no poder de compra das famílias dessas regiões podem ter impacto direto sobre o desempenho das vendas.

Renda das famílias preocupa

Um dos fatores considerados pela XP é a evolução do Bolsa Família. Segundo a análise, o valor médio do benefício apresentou redução de aproximadamente 5% nos últimos três anos.

A corretora também avalia que existe pouco espaço para aumentos expressivos do benefício no curto prazo, considerando as restrições fiscais enfrentadas pelo governo e a falta de indicações de novas medidas de ampliação relacionadas ao período eleitoral.

Esse cenário pode limitar a capacidade de consumo das famílias de menor renda, especialmente em mercados nos quais os programas de transferência representam uma parcela relevante da renda disponível.

Inflação muda cenário para o Grupo Mateus

A XP também chama atenção para uma mudança importante no ambiente econômico.

Em 2023, o Grupo Mateus conseguiu combinar inflação geral mais controlada, que favorecia o poder de compra dos consumidores, com preços de alimentos ainda elevados, cenário que ajudava a sustentar o crescimento das vendas mesmas lojas.

Agora, a combinação se tornou menos favorável. A inflação mais elevada em algumas áreas do Norte e Nordeste pode pressionar o orçamento das famílias. Ao mesmo tempo, uma inflação de alimentos mais moderada reduz um dos fatores que anteriormente contribuíam para o crescimento nominal das receitas.

Além do ambiente econômico, a XP identificou outros fatores que podem afetar o consumo.

Entre eles estão o crescimento das apostas e a expansão do acesso a medicamentos da classe dos GLP-1, utilizados em tratamentos relacionados à obesidade e ao diabetes. Na avaliação dos analistas, essas mudanças podem alterar a composição dos gastos das famílias e representar pressão adicional sobre o consumo de alimentos.

O próprio Grupo Mateus também apontou uma redução nos volumes comercializados durante a divulgação dos resultados referentes ao segundo trimestre de 2026.

Apesar das dificuldades, a XP reconheceu avanços nas iniciativas de produtividade adotadas pelo Grupo Mateus e avaliou positivamente alguns sinais apresentados no balanço do segundo trimestre.

Ainda assim, a instituição considera mais difícil manter ou ampliar as margens da companhia em um cenário de crescimento mais moderado da receita.

Diante dessa perspectiva, a XP reduziu suas projeções para o EBITDA de 2027 em 28% e para o lucro líquido do mesmo ano em 30%.

A revisão reflete, portanto, uma combinação de fatores macroeconômicos e específicos do negócio, incluindo menor poder de compra em parte das regiões atendidas, mudanças no comportamento dos consumidores e desafios para sustentar a rentabilidade em um ambiente de crescimento mais lento.

Fonte: XP Investimentos / informações de mercado.

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