Continuidade sim, continuísmo não.


Segundo informação que colhemos na internet, a Confederação Nacional do Comércio – CNC, tem como objetivos centrais a "orientação, coordenação, proteção, defesa e representação das atividades econômicas do comércio brasileiro, de maneira a atender aos superiores interesses nacionais". A ela estão filiadas trinta e três federações, que compreendem mais de oitocentos sindicatos, integrados às seguintes atividades e profissões: comércio atacadista, comércio varejista, agentes autônomos, comércio armazenador, turismo e hospitalidade e estabelecimentos de serviços de saúde.


Um fato que tem nos chamado atenção ultimamente é o continuísmo como marca registrada das gestões dessas instituições, a começar pela própria CNC, cujo ex-presidente, Sr. Antônio Oliveira Santos, passou trinta e oito anos a frente da instituição, sem entrar no mérito de sua capacidade de gestão. Entendo que esse continuísmo vai de encontro às boas práticas de governança, principalmente se levarmos em consideração a dinâmica do comércio e as transformações em sua estrutura produtiva ao longo desses anos todos, sem deixar de considerar o relevante papel que o segmento exerce no desenvolvimento econômico, social e urbano do país.


Antes de fazermos algumas considerações relacionadas ao título desse artigo, considero importante registrar que o desejo de nos posicionar sobre o tema veio, primeiramente, da nossa ligação de vários anos com o varejo e o momento de dificuldade que atravessa no país, com altos índices de desemprego e depois pela polêmica gerada sobre as colocações do Ministro Paulo Guedes, de “meter a faca” no sistema “S”.


Até o momento ainda não identificamos uma Federação do Comércio que tenha se posicionado sobre a necessidade de rever seus modelos de gestão, suas estruturas físicas e funcionais e principalmente sua missão e visão enquanto instituição voltada para trabalhar e defender os interesses do setor terciário, que é o que mais cresce no mundo e o que mais emprega, chegando em alguns países a empregar mais de 70% dos seus trabalhadores. A própria CNC, de quem se poderia esperar o primeiro bom exemplo, fez justamente o contrário, dizendo-se uma instituição privada – que discordamos totalmente, adquiriu na modesta Avenida Vieira Souto, no Rio de Janeiro, dois "imoveizinhos", para seu presidente e o diretor financeiro, pela bagatela de R$ 24,5 milhões. Um dos apartamentos custou R$ 14 milhões e o outro R$ 10,5 milhões. Num momento de extrema dificuldade que o segmento terciário vive, é realmente um acinte, como falou o secretário especial de Produtividade e Emprego do Ministério da Economia, Carlos da Costa, total desrespeito a toda classe empresarial do comércio brasileiro, aos seus colaboradores e ao povo em geral.


De repente alguém pode perguntar: o que esse episódio da CNC tem a ver com o título de artigo? Imediatamente respondemos: A Confederação Nacional do Comércio é o maior e pior exemplo de continuísmo. Exemplo esse que foi seguido por várias federações do comércio no país. Quando se tem continuísmo, com o pensamento de perpetuidade, normalmente falta nas instituições, transparência, boas práticas de gestão e respeito aos seus filiados.


Ao contrário do continuísmo, a continuidade representa a manutenção de um modelo de gestão que está dando certo e que deve ser mantido. O significado da palavra é continuar sem interrupções rumo a objetivos traçados, normalmente nas organizações privadas e instituições públicas quando há por parte dos gestores a preocupação de dar continuidade às boas práticas de governança, os resultados são sempre positivos.


No nosso país, lamentavelmente a cultura desenvolvida na gestão pública é de descontinuidade, muitas vezes observamos mudanças feitas que causam verdadeiros caos administrativos, devido as famosas coligações políticas que ignoram a meritocracia para atender interesses de partidos políticos, em razão de acordos pré-eleitorais. Normalmente essa descontinuidade onera os cofres públicos, porque em cada mudança de gestão os novos gestores, na intenção implantar seu estilo de gerenciamento, altera processos, muda sistemas, cria novos cargos para acomodar seus apadrinhados, e o povo é quem paga as contas, tendo que engolir aumentos abusivos de impostos, muitas vezes sendo mal atendidos nas unidades de serviços públicos. Até quando teremos que conviver e aceitar essas práticas nocivas ao desenvolvimento do país?


Editorial Varejo Nordeste


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