Desafios da produtividade no Brasil.


Segundo definido no “Novíssimo Dicionário de Economia” de Paulo Sandroni, devemos entender produtividade como o “Resultado da divisão da produção física, obtida numa unidade de tempo (hora, dia, ano) por um dos fatores empregados na produção (trabalho, terra, capital).”


O vocábulo, de maneira simples e direta, trata do quão eficiente é a utilização dos recursos produtivos, ou seja: quanto é produzido no menor tempo e com menores custos. O termo é usualmente associado a produtividade do trabalho (ou do fator trabalho, como se diz), todavia pode referenciar-se a produtividade do fator capital, quando por exemplo, refere-se a quantidade produzida em relação a cada unidade de capital investido em seu processo produtivo.


É preciso salientar todavia, que a produtividade alude ao resultado do trabalho humano, porém não podemos esquecer que este ocorre com a ajuda dos recursos necessários à produção: máquinas, ferramentas e equipamentos. A produtividade do trabalho, em outras palavras, é o quociente da produção pelo tempo do trabalho em que foi obtida, todavia influenciada pela contribuição de inúmeros fatores.


Dentre os fatores intervenientes do processo, que afetam significativamente a produtividade, precisamos citar o desenvolvimento tecnológico das máquinas e equipamentos empregados. Notadamente, quanto mais modernos os instrumentos empregados no processo produtivo, maior tende a ser a produtividade. A absorção de tecnologia na forma de máquinas e equipamentos mais modernos, são significativamente importantes para a elevação da produtividade, estimativas apontam que que cerca de 25% da diferença de produtividade entre os países, se deve a diferenças nos preços de máquinas e equipamentos[1].


Podemos assinalar portanto, o quão importante são políticas que reduzam as barreiras à importação de máquinas e equipamentos, como forma de elevar a produtividade no país, por meio da incorporação de maior tecnologia aos processos produtivos.


Faz-se também necessário observar com atenção, a que níveis as taxas de câmbio se estabelecem, pois em patamares elevados, sob a justificativa do fortalecimento das exportações de commodities, dificultam a aquisição de máquinas e equipamentos mais modernos no exterior, afetando a produtividade a longo prazo.


É importante ressaltar que a maior parte da produção mundial destes bens é concentrada em poucos países, intensivos em pesquisa e desenvolvimento, e nosso país é atualmente importador da maior parte do maquinário necessário a modernização da produção nacional, adquirindo-os no mercado internacional e pagando em dólares aos fornecedores.


Faz-se necessário ainda, ressaltar a importância do incentivo a pesquisa e desenvolvimento locais, garantindo que no futuro possamos fazer parte do rol de países exportadores de produtos com maior valor agregado. Sem necessariamente abandonar as commodities, reduzindo porém, sua importância relativa na pauta de exportações, bem como melhorando a produtividade global de nossa economia, inclusive na produção destes itens.


Vale ainda observar a qualidade da mão de obra a ser empregada no processo produtivo, a qualificação é sempre um aspecto relevante ao se analisar a produtividade, independentemente do setor observado, e embora em termos quantitativos a escolaridade média do trabalhador brasileiro tenha crescido de forma consistente nas últimas décadas, do ponto de vista qualitativo a educação do trabalhador brasileiro não tem correspondido as demandas do atual nível de desenvolvimento da economia mundial, afetando a competitividade das empresas localmente instaladas. Pesquisas do IPEA apontam que 67% dos empresários analisam que a qualificação da mão de obra seria um fator de elevada importância a afetar negativamente sua produtividade[2].


Não menos importante que os aspectos anteriormente apresentados, é o da impacto da infraestrutura e transportes sobre o desenvolvimento e a produtividade da economia. A oferta eficiente de serviços públicos de infraestrutura é um dos aspectos mais importantes das políticas de desenvolvimento econômico e social, condicionando significativamente a produtividade e a competitividade nacionais, contribuindo ainda para elevação do nível de bem-estar social.


Sendo portanto, condição indispensável para que o país possa ampliar sua competitividade global elevando sua produtividade.


A melhoraria das condições de transporte, comunicação e de fornecimento de energia, gera efeitos multiplicadores e dinamizadores em toda a economia, induzindo outros investimentos, notadamente os privados. É importante realçar ainda, que em uma economia que apresenta pelo quinto ano seguido déficit primário, chegando a uma dívida bruta de 77% do PIB (enquanto países de renda média costumam ter dívida abaixo de 50% do PIB), uma alternativa bastante razoável é a opção por parcerias público privadas, onde se busque no mercado nacional e internacional parceiros capazes de realizar os investimentos dinamizadores tão necessários à economia nacional.


De maneira sucinta, é preciso ainda ressalvar a relevância do ambiente de negócios como um todo. No Brasil, a excessiva burocracia, problemas regulatórios, tributação elevada e complicada, sabotam a produtividade das empresas brasileiras.


Segundo o IBPT - Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação , existem hoje em vigor no Brasil 63 tributos e 97 obrigações acessórias, que resultam em gastos com tecnologia e pessoal que chegam a cerca de 1,5% do faturamento anual das empresas. No Brasil, um a cada 200 funcionários trabalha na área contábil, enquanto nos USA a proporção é 1 para cada mil.


O resultado é que produtividade brasileira representa algo em torno a 25% a 26% da média da produtividade do trabalho nos países ricos, e o cenário tem se complicado nos últimos anos.

Fonte: IPEA


Enquanto a partir os anos 80 a maior parte dos países melhorou sua produtividade, o Brasil segue perdendo espaço. Os USA (referência, por ser o mais produtivo) que já foi 6,6 vezes mais produtivo que o Brasil nos anos 60, em 2009 chegou a ser 7,1 vezes mais produtivo.


Com um agravante, na mesma medida que nas últimas décadas nos afastamos do nível de produtividade dos países mais produtivos, os países menos produtivos nos alcançam a passos largos, o que resulta em uma fragilização da posição competitiva do país no cenário internacional.

Fonte: IPEA


O desempenho nacional, em termos de produtividade nas últimas décadas nos coloca abaixo da média da América Latina e Caribe, do Oriente Médio e dos países do Norte da África, ficando apenas acima dos países do Sul da Ásia e da África Subsaariana, números catastróficos.


Para que a economia brasileira possa crescer de forma sustentável no longo prazo, é condição sine qua non que possamos ter ganhos reais de produtividade. Afinal, de que outra forma poderemos elevar de maneira sustentável os salários mínimos, com ganhos reais para o trabalhador?


O crescimento econômico experimentado nos anos 2000, sem melhorias na produtividade, foi resultado de inúmeros fatores, notadamente a baixa taxa de investimento; o reduzido ritmo de progresso técnico; a ainda baixa, embora crescente, qualificação da mão de obra; os gargalos da infraestrutura; e, por que não dizer, a estrutura regulatória e institucional, ainda extremamente burocrática.


Infelizmente o recente crescimento brasileiro foi essencialmente impulsionado por fatores demográficos sem, no entanto, um aumento sustentado da oferta e do estoque de capital. O principal impulso para a ampliação da oferta agregada, nesse período, foi o crescimento da oferta de mão de obra, cuja possibilidade de expansão se esgotou no longo prazo, por questões demográficas.


Precisamos a partir de 2019, ampliar significativamente a produtividade, sob pena de jogarmos fora outra década, aliás, como estamos a habituados a fazer.

[1] EATON, J.; KORTUM, S. Trade in Capital Goods. European Economic Review, v. 46, n. 7, p. 1195-1235, 2001.


[2] De Negri, Fernanda; Cavalcante, Luiz Ricardo (Organizadores) Produtividade no Brasil: desempenho e determinantes – Desempenho Vol. 1 IPEA - Brasília, 2014

De Negri, Fernanda; Cavalcante, Luiz Ricardo (Organizadores) Produtividade no Brasil: desempenho e determinantes – Determinantes Vol. 2 IPEA - Brasília, 2015


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