Eleições 2018 e os riscos para economia nacional.

Atualizado: 11 de Jul de 2018


Eleições 2018 - TSE

O ano de 2018 será marcado por um dos mais emblemáticos processos eleitorais da recente história do Brasil, quase uma reprise das eleições de 2002, quando a polaridade ideológica nos discursos dos principais candidatos à Presidência, assustava o mercado, e o receio quanto a primeira eleição de Lula resultou em uma elevação do dólar, que chegou a quebrar a barreira dos R$ 4,00 , maior cotação desde o início do Real, e suscitando uma queda expressiva da bolsa no mesmo período.

A possibilidade de mudanças na direção das políticas econômicas, o abandono de reformas estruturais importantes como a previdenciária e a tributária, tem claramente assustado o mercado e o noticiário econômico pré-eleições 2018 espelha esse renovado temor.No ano de 2002, o temor que havia em relação a Lula se esvaneceu após a divulgação da “Carta aos Brasileiros”, publicada em 22 de junho de 2002.

Um documento, onde Lula, ainda candidato à presidência da república, mostrou sua face moderada e posteriormente surpreendeu ao dar continuidade à política econômica de Fernando Henrique Cardoso. Arrefecendo os receios do mercado e permitindo que tanto a bolsa quanto a cotação do dólar voltassem a patamares mais equilibrados.Todavia em 2018, o processo eleitoral acirrou ainda mais a polarização já existente, principalmente após o impedimento da Presidente Dilma Rousseff e o advento do seu vice, Michel Temer, por meios duvidosos, ao poder. Adicione-se ao turbilhão, a condenação e posterior prisão do ex-presidente Lula, que cumpre pena e abertamente faz campanha à presidência, sendo apontado em todas as pesquisas como um dos candidatos mais fortes no processo eleitoral.

A reboque do candidato do PT, ganha musculatura uma liderança inusitada, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), candidato que claramente se fortalece no antagonismo, e que juntamente com Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), dividem as preferências do eleitorado. Um ponto importante a se observar é que cerca de um terço dos eleitores, pode ser enquadrado como eleitor de votos nulos ou brancos, um número que tende a cair com a proximidade das eleições, e pode ser decisivo na corrida presidencial, porém expressa o descontentamento com os nomes postos e acrescenta mais incerteza ao processo.Todo esse cenário, repleto de incertezas, alcança rapidamente os preços dos ativos financeiros, como dólar e ações, todavia não podemos nos enganar, o setor real da economia também é duramente impactado pelo ambiente de incertezas.

Qualquer empresa que pretenda investir, construindo uma nova planta ou ampliando uma já existente, necessariamente aguardará até que o cenário fique mais estável, para então, implementar suas ações, o que afeta o crescimento econômico e por continuidade, o nível de desemprego.Em paralelo as questões internas, temos um cenário internacional com dólar se valorizando e o petróleo ainda com preços internacionais em ascensão, ambos pressionando a inflação no país, que juntamente com os reflexos da última greve dos caminhoneiros já repercutem nas projeções da inflação do Banco Central, que saltaram de 3,8% para 4,0%, convergindo para o centro da meta, números ainda não preocupantes, porém com viés de alta, em um cenário de economia estagnada e por isso merecedores de atenção. A Fundação Getúlio Vargas publicou o Indicador de Incerteza da Economia Brasileira (IIE-BR) para junho de 2018, e este subiu 10,1 pontos entre maio e junho de 2018, atingindo o total de 125,1 pontos. Com o resultado, o indicador manteve-se na região de incerteza elevada (acima de 110 pontos) pelo quarto mês consecutivo. A literatura econômica, apresenta diversos exemplos de como choques de incerteza podem gerar impactos negativos tanto nas empresas, desmotivando investimentos e produção, quanto nas famílias, diminuindo a propensão ao consumo. E o cenário político em nada tem contribuído para amenizar o ambiente de incerteza, muito pelo contrário. Uma questão muito peculiar de nosso processo eleitoral é que importantes questões não tem sido discutidas de maneira clara, provavelmente para evitar eventuais desgastes eleitorais. O risco que corremos é que questões pertinentes sejam negligenciadas da pauta, por eventualmente não apresentarem-se ao público como temas facilmente palatáveis, porém infelizmente nem sempre o melhor remédio é o mais doce. O debate político tem tangenciado os grandes temas que tratam não apenas das necessárias reformas, mas também dos projetos que os candidatos deveriam apresentar à sociedade. E grande parte da incerteza envolvida no processo, vem da possibilidade que não apenas durante o processo eleitoral, como já se vem observando, mas principalmente após janeiro de 2019, com a posse do novo presidente, sejam adotadas no Brasil medidas de cunho puramente populista, de forma a garantir a proclamada “governabilidade”, e sejam abandonadas, as reformas imprescindíveis ao crescimento e desenvolvimento do país, dentre as quais podemos citar: Reforma tributária: faz-se necessário não apenas simplificar a tributação do país, mas também torna-la mais justa.

  • Reforma trabalhista: embora dolorida, é uma questão que precisa ser discutida e revisitada, possibilitando encontrar o equilíbrio entre a imperativa modernidade e o atendimento as necessidades do trabalhador.

  • Reforma previdenciária: um problema mundial, que o Brasil precisa enfrentar, sem ancorar-se nos privilégios, sob pena de imputar as novas gerações um ônus impagável.

  • Reforma política: talvez a mais importante e que sabemos não deverá ocorrer sem uma forte pressão de todos os setores.

  • Reforma na educação: enquanto nosso país não oferecer na base, uma educação igualitária, de alta qualidade e gratuita, nosso país não poderá competir com as nações desenvolvidas.

Alguém já viu uma galinha alçar voo? Provavelmente não, ela não está preparada para grandes voos, até se esforça, mas o resultado é pífio e na sequência de um curto salto, volta a cair. Precisamos que este país alce voo, erga-se de maneira firme, e para isso precisamos dotá-lo das condições necessárias, conforme afirmou o Prof. Bresser-Pereira , precisamos de um projeto nacional para o Brasil, porém infelizmente este parece que não está na pauta.

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