Juros altos e SELIC baixa, assim é o Brasil!



Como economista, sou muitas vezes indagado para explicar por qual motivo, mesmo com a taxa SELIC mais baixa de nossa história, ainda assim os juros na ponta, para o cidadão comum, continuam tão altos.


Grande parte da população não consegue, e isso é muito natural, compreender por quais motivos, muito embora sejam noticiadas as constantes e recentes quedas da SELIC, a taxa cobrada pelo seu banco no chegue especial, ou no cartão de crédito são tão altas. Da mesma forma o financiamento de automóveis, da geladeira ou de seu apartamento custam tão caro.


Primeiro é preciso entender que a SELIC, que chamamos de “taxa básica de juros”, é a taxa que os bancos usam como base para determinar as taxas a serem efetivamente cobradas em suas transações interbancárias de títulos públicos, porém não vou me ater a essas questões técnicas.


Quando falamos do termo SELIC é bom saber que o termo significa: Sistema Especial de Liquidação de Custódia, que é um sistema do Banco Central que registra as operações do tesouro nacional com os títulos públicos. A taxa SELIC que o Comitê de Política Monetária ajusta e comunica após cada encontro, que ocorrem com intervalos de 45 dias, é chamada tecnicamente de Taxa SELIC META, e será a taxa a qual os títulos públicos serão negociados.


A taxa SELIC a qual nos referimos no artigo e que o cidadão escuta falar em seu dia-a-dia é a SELIC META, que tem um papel estratégico fundamental no controle da inflação e na estabilização da economia, servindo como base para as taxas de juros efetivamente cobradas nos financiamentos e empréstimos.


Todavia a taxa de juros cobrada do cidadão apenas se ancora na SELIC, outros pontos importantes precisam ser ainda observados: questões pessoais relacionadas ao tomador de crédito e ao seu patrimônio e histórico, ao tipo de crédito pretendido e também expectativas quanto ao cenário econômico projetado para a economia.


Primeiro é fato que no Brasil temos uma baixa concorrência no setor bancário: Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander; apenas cinco bancos, respondem por mais de 80% do mercado, o que tende a elevar o custo do crédito no país[1].


Uma prova incontestável que o setor vem muito bem obrigado, ao operar em um modelo oligopolista, são as notícias que apresentam recordes em todos os índices. Em uma comparação realizada pelo Banco Central, o retorno sobre o patrimônio líquido das instituições financeiras, realizada em 2017, aponta que o ROE dos bancos no Brasil foi de 13,8%, contra 7,8% na França, 4,9% no Reino Unido, 3,4% nos USA e assim por diante. Lembremo-nos que mesmo durante as crises que passamos em anos recentes, os bancos apresentaram rentabilidade e lucratividade crescentes, a despeito de outros setores.


Todavia não podemos culpar unicamente a concentração do setor, precisamos lembrar que no Brasil a taxa de recuperação de crédito é de apenas 14%, perdemos para Venezuela (6%); se compararmos com o Japão, onde essa taxa chega a 92%, USA 82%, Chile 42%; podemos entender um pouco por que custa tão caro tomar crédito no país, afinal você que paga suas dívidas, está pagando as perdas do setor com maus pagadores.


Vejamos: no Brasil um banco que empresta e não recebe, após começar a tentar recuperar o crédito, só consegue recuperar 14% (após uma média de 4 anos de esforço), para termos uma ideia, no Reino Unido a recuperação é de cerca de 85% após 1 ano. Percebam como a insegurança jurídica criada por um judiciário pró-devedor, também contribui para encarecer o crédito em nosso país.


Poucos conhecem, mas existe também uma taxa de juros “futuros”, que é baseada em contratos firmados com base em expectativas a respeito de quanto serão os juros em meses ou anos à frente. Os juros futuros são acompanhados com extrema atenção pelos investidores, pois representam a estimativa do mercado para o valor dos juros e são por isso fortemente afetados por crises e instabilidades políticas, porquanto esses elementos elevam a percepção de risco dos investidores.


Infelizmente, o cenário atual, mesmo com a SELIC (Meta) baixa, tem apresentado taxas de juros futuros elevadas. O que vai impactar os juros efetivamente cobrados em nossos contratos de crédito, pois não podemos esquecer que eles levam em consideração pagamentos que deverão ocorrer em algum momento no futuro.


Afora os pontos comentados, temos ainda que lembrar que questões comportamentais precisam ser melhor compreendidas, o brasileiro precisa entender que ao decidir por tomar um crédito é necessário analisar os contratos, compreender quanto está efetivamente custando a operação e comparar com outras opções.


No Brasil, acabamos pagando muito caro por nossa indisciplina financeira, em nosso país estamos habituados a decidir pela compra observando apenas se a parcela “cabe” no meu orçamento e não considerando outros elementos importantes no processo de tomada de decisão.


Tudo isso, faz do Brasil, certamente um dos países onde é mais caro tomar crédito.


[1] Conforme aponta o Estudo Especial nº 64/2019 – Concorrência bancária e custo do crédito, publicado pelo do Banco Central do Brasil.


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