Melhor idade ou melhor mercado?


Que o envelhecimento populacional é um fato, todos concordam. As Nações unidas apresentam regularmente relatórios sobre o tema e o IBGE, recentemente publicou os dados da revisão 2018 da projeção da população brasileira, onde confirma o comportamento demográfico do Brasil, que acompanha as tendências mundiais. Em verdade, uma observação mais acurada nos permite ressaltar que apenas a África subsaariana, apresenta comportamento significativamente divergente da tendência mundial.

Basicamente dois eventos precisam ser sinalizados ao se analisar esse processo de envelhecimento populacional: inicialmente a queda na taxa de fecundidade; que nada mais é, que uma estimativa do número médio de filhos que uma mulher tem ao longo da sua vida reprodutiva; e de maneira concomitante, o aumento na expectativa de vida, especialmente nas faixas etárias superiores.

Observando os dados apresentados pelo IBGE, percebe-se que a população brasileira cresce, porém a taxas menores que no passado recente. Tudo isso devido a já citada combinação entre queda da taxa de fecundidade e aumento da expectativa de vida nacional.

A população brasileira, que hoje possui um total de 208,4 milhões de habitantes, deve atingir em 2060 os 228 milhões, porém haverá um ponto de inflexão na curva de crescimento populacional do Brasil. No ano de 2047, deveremos atingir um total máximo de 233,2 milhões de habitantes, números que na sequência começaram a diminuir, conforme já dissemos, pelo baixo volume de nascimentos.

Essa combinação de fatores, conduz o Brasil a uma inexorável condição de nação envelhecida. Os Brasileiros, que no ano de 2018 apresentam uma expectativa de vida média de 76,2 anos, ampliaram essa expectativa para 81 anos em 2060. E vale ainda lembrar, que essa expectativa já foi de apenas 54 anos, nos anos 60. Os Brasileiros ganharam um bônus de mais de 20 anos em sua expectativa de vida no intervalo entre os anos de 1960 e 2018.

Em combinação com esses dados, a taxa de fecundidade, que no Brasil da década de sessenta já foi de mais de 6 filhos por mulher, caiu para 1,7 filhos por mulher em 2018 e segue a tendência de queda, com estimativa de apenas 1,6 filhos para cada mulher brasileira no ano de 2060.

Lembrando ainda, que as mulheres, por uma série de fatores tendem a engravidar cada vez mais tarde. A média de idade para primeira gravidez no Brasil, que em 2010 já era de 26,5 anos, em 2018 subiu para 27,1 e em 2060 estará próximo dos 28 anos, contribuindo sobremaneira para que o número total de nascimentos diminua sensivelmente com o passar dos anos.

Dados da ONU – Organização das Nações Unidas, apontam que o número de pessoas idosas já triplicou nos últimos 50 anos; e vai mais que triplicar novamente nos próximos 50. Na década de 1950, havia cerca de 205 milhões de pessoas com idade de 60 anos ou mais em todo o mundo, naquele momento da história, apenas 3 países tinham mais de 10 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em sua população: a China, com 42 milhões de habitantes na faixa de idade superior aos 60 anos; a Índia, com 20 milhões e os Estados Unidos da América com 20 milhões de habitantes nessa faixa etária.

Cinquenta anos depois, o número de pessoas com 60 anos ou mais no mundo aumentou cerca de três vezes, atingindo um total de 606 milhões em todo mundo. Em 2000, a número de países com mais de 10 milhões de pessoas com 60 ou mais anos em sua população, aumentou de apenas 3 para 12 países, incluindo no grupo 5 países com uma população composta por mais de 20 milhões de idosos.

A China, como já esperado, com a maior população nessa faixa, com cerca de 129 milhões de habitantes; seguida da Índia, com 77 milhões; os Estados Unidos da América, com 46 milhões de habitantes; acompanhados agora do Japão, com 30 milhões; e da Rússia com 27 milhões. O Brasil, também já faz, desde 2010, parte deste distinto grupo, pois atingiu naquele ano a marca dos 21 milhões de habitantes com idade superior aos 60 anos e uma estimativa de cerca de 58 milhões até o ano de 2050.

Segundo apontado pelas Nações Unidas, a população mundial de 60 anos ou mais, deverá expandir-se mais de três vezes para atingir quase 2 bilhões de seres humanos até 2050. Como já apresentado, a população está envelhecendo rapidamente, e precisamos atentar para um detalhe importante, as próprias populações mais velhas, envelhecem. Um aspecto notável do processo de envelhecimento global, é o envelhecimento demográfico progressivo dos próprios idosos dentro de suas faixas de idade.

Para a maioria das nações, é fato que a faixa etária de 80 anos ou mais está crescendo mais que qualquer outro segmento mais jovem da população. No nível global, conforme apontado pela ONU, a taxa média de crescimento de pessoas com 80 anos ou mais é de 3,8%; o que é uma taxa bem superior ao crescimento da população com mais de 60 anos de idade, que cresce a uma taxa de 1,9% no mundo.

No Brasil, a taxa de crescimento médio da população como um todo é de apenas 0,2%, segundo dados do IBGE, enquanto a faixa acima dos 60 anos apresenta uma taxa de 2,7%, superior a média mundial e a faixa acima dos 80 anos vem crescendo a uma taxa de 3,7%. Até o ano de 2060, 32% dos brasileiros estarão acima dos 60 anos, hoje esse grupo soma apenas 13% da população.

Outro ponto importante, é a presença de centenários como parte importante da população mundial, apesar da menor proporção de centenários nas regiões menos desenvolvidas, prevê-se um aumento significativo do número absoluto de pessoas nesta faixa etária em todas as regiões ao longo dos próximos 50 anos.

O Japão, em particular, experimentará um notável aumento no número de centenários durante o próximo meio século. No final deste período, o Japão deverá ter, de longe, o maior número e proporção de centenários do mundo, quase 1 por cento da população do Japão terá 100 anos ou mais.

Dentro deste quadro, é necessário enfatizar que as mulheres constituem uma maioria significativa da população mundial acima dos 60 anos; e a participação feminina aumenta em todas as faixas acima dos 60. Como sua expectativa de vida é maior que a dos homens, as mulheres constituem uma maioria significativa da população acima dos 60 anos. No ano 2000, a proporção sexual global da população de 60 anos ou mais era de 81 homens por cem mulheres.

A proporção de mulheres na população acima dos 60 anos cresce substancialmente com o avanço da idade. Em 2000, as mulheres superavam em número os homens em quase 4 a 3 aos 65 anos ou mais; e em quase 2 a 1 com idades de 80 ou acima.

Dados da ONU apontam que a participação da população idosa na força de trabalho diminuiu em todo o mundo durante as últimas décadas. Graças aos sistemas de previdência implantados ao longo do tempo. Embora em países menos desenvolvidos ainda sejam parte importante da geração de receita das famílias, as pessoas idosas de hoje são significativamente menos propensas a participar na força de trabalho do que eram no passado.

Ao longo dos últimos 50 anos, a participação da população ativa de 65 anos ou mais, diminuiu mais de 40% a nível global. Em 1950, cerca de 1 em cada 3 pessoas com 65 anos ou mais estava na força de trabalho. Em 2000, esta proporção diminuiu para apenas menos de 1 em 5.

Obviamente as taxas de participação das pessoas idosas no mercado de trabalho são mais elevadas nas regiões menos desenvolvidas, onde os sistemas de apoio à velhice sob a forma de programas de pensões e de aposentadorias são muito menos prevalentes. Não é surpresa, portanto, encontrar maiores proporções de idosos na força de trabalho nas regiões menos desenvolvidas.

Esta significativa parcela da população, com o avançar da idade passa por mudanças diversas, sejam estas alterações de ordem biológica, decorrentes de alterações em tecidos e células que compõem seu organismo, alterações que certamente resultam em necessidades diferenciadas em termos de produtos e serviços.

Assim como também alterações psicológicas e sociais, com mudanças nos papéis que exercem dentro do contexto social e familiar onde estão inseridos, bem como na maneira como exercem sua liberdade de escolha.

Pesquisas apontam que consumidores mais velhos tendem a preferir as lojas e marcas tradicionais; tendem a gastar mais em produtos e serviços de luxo, quando comparados aos consumidores de outras faixas etárias; são menos focados em preços e mais insensíveis a ofertas. Pesquisas realizadas no Brasil indicam que idosos valorizam sobremaneira a agilidade e a cordialidade no atendimento (atributos comportamentais das equipes das lojas).

De um modo geral, a lealdade dos idosos está mais ancorada nos aspectos de cordialidade e simpatia do que nos aspectos de rapidez. É importante evidenciar ainda, que o consumidor brasileiro da terceira idade, tem aumentado seu potencial de consumo e pode gastar mais, por conta do fato de que quase 80% deles recebem algum tipo de benefício público.

Segundo pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil e pelo portal de educação financeira “Meu Bolso Feliz”, com pessoas acima de 60 anos nas 27 capitais, 41% gastam mais com produtos que desejam do que com itens relacionados às necessidades básicas da casa.

Pesquisas apontam todavia que 45% dos consumidores na faixa acima do 60 anos, enfrentam dificuldades para encontrar produtos adequados à sua idade.

Entre os produtos de que mais sentem falta estão: roupas adequadas ao seu perfil (20%), aparelhos de celular com teclados maiores e mais visíveis (12%), locais frequentados por pessoas da mesma idade (9%), turismo exclusivo para sua faixa etária (7%), e produtos de beleza que atendam suas especificidades (3%).

Outro ponto a ser evidenciado, diz respeito ao comércio eletrônico, cerca de 7% dos idosos adquiriram o costume de realizar compras pela internet, com destaque para os idosos com curso superior e maior renda, cujo percentual sobe para 26% do total.

Porém, um dos pontos de destaque para este mercado especifico é que este segmento faz das compras uma experiência social e de lazer, que permite, ao mesmo tempo, a realização algum tipo de atividade física, como por exemplo uma caminhada no shopping.

Por este motivo, preferem realizar as compras em dias de semana, muitas vezes no início da manhã, quando as lojas estão mais vazias. Preferem lojas menores, perto de casa e com as quais estejam familiarizados e mantenham uma relação de confiança. Procuram produtos de qualidade e são leais às marcas e menos sensíveis a preço.

Em tempos de crise, com vendas em queda, concorrência muitas vezes desleal do comércio eletrônico, grandes redes e marketplaces forçando preços para baixo, não seria a melhor idade nosso melhor mercado?


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